Dia 18 é um dia agitado - por Anne Diehl
Dia 18 é um dia agitado.
Por motivos pessoais e não.
Há algum tempo que dia 18 é dia de ir pra rua, mas esse ano não, e é muito estranho não ir, parece que falta uma parte.
Ficar trancado parece que falta uma parte. Não sair incomoda, causa desconforto, estranheza.
A saúde mental foi chegando de fininho. Começou com um laço, um nó. Virou colar, pulseira, brinco. Aí veio congresso. Corre lá, pega o biscoito! Essa não, acabou o troco da biju! Quem vai falar na apresentação? Só tem estagiários pra falar, chama lá a galera que quem faz o projeto não é a gente! Mas é quanto tempo de apresentação, vai dar tudo? E o brigadeiro queimado? A gente trabalha com o brigadeiro queimado mesmo.
É trabalho. Muito trabalho. Trabalho todo dia. Trabalho no IPUB, trabalho no congresso, trabalho em casa, trabalho na rua.
Depois veio o dia-a-dia. A saída depois do congresso, o cafezinho na Flor, o papo no pátio, a música do Cancioneiro.
E aí o laço já era nó. Aquele nó que não sai por nada. As vezes até afrouxa, mas sair? Não sai.
Cada conversa, cada metáfora, cada café, cada congresso uma puxada a mais nesse nó.
Um 18 de maio sem rua é estranho, é diferente, é quieto. Mas não é menor.
Em meio a um cenário desse, o 18 de maio é cada vez mais importante. Para não esquecer o que encarcerar faz. Para não esquecer que abuso disfarçado de cura não cura. Para não esquecer que só teoria não faz profissional. Não esquecer que o manicômio vê sim cor, gênero e classe social.
Nesse dia 18 não é pra esquecer,
Prender não é cuidar;
Dopar não é cuidar;
E nem um passo atrás, manicômio nunca mais!


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